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A morte do motor 1.6: Rota 2030 e fase L7 do Proconve

Entra ano, sai ano e a indústria automobilística no nosso país está sempre se reinventando. Isso acontece porque, vez ou outra, surgem novas diretrizes que norteiam e modificam o desenvolvimento e a produção de veículos em prol de uma sociedade cada vez melhor, mais sustentável e economicamente mais estável.

Dessa vez, não poderia ser diferente. Como forma de reduzir o impacto negativo da emissão de poluentes na atmosfera, bem como de avançarmos nossas indústrias em termos de pesquisa e desenvolvimento, surgiram o programa Rota 2030 e a fase L7 do Proconve.

Esses dois projetos têm uma infinidade de metas a serem alcançadas, mas as principais delas impactam diretamente a produção das montadoras – são elas: o uso de biocombustíveis e a redução de emissões evaporativas, que acabam provocando a extinção do motor 1.6 e de vários dinossauros de quatro rodas da indústria nacional.

Quer conhecer o Rota 2030, o Proconve L7 e saber um pouco mais sobre o fim do motor 1.6 no Brasil? É só continuar a leitura!

O que é o Rota 2030?

rota 2030

Quem trabalha ou lida constantemente com o setor automobilístico do Brasil sabe o quanto esse mercado enfrenta sérios problemas: atraso tecnológico, capacidade ociosa e baixa competitividade em relação ao mercado global (o que causa a perda de mercado) são alguns deles. Porém, ainda assim, esse é um setor forte no nosso país, que movimenta capital e emprega muitas pessoas – portanto, nada mais justo que ter um apoio do Governo para solucionar essas questões.

Daí surgiu a Lei 13.755, que substituiu o antigo Inovar Auto e que hoje se chama Rota 2030. Ela tem como objetivo incentivar a tecnologia e a inovação em todo o setor automobilístico do Brasil (autopeças, sistemas estratégicos de produção e as próprias montadoras), norteando a produção, aumentando a segurança e satisfação dos motoristas, lançando veículos mais sustentáveis e destacando nossa indústria para o mundo.

O programa tem duração de 15 anos e é dividido em três etapas de cinco anos cada. A primeira delas vai de 2018 a 2022.

Suas diretrizes são:

  • Criação de requisitos obrigatórios para a comercialização de veículos no Brasil;
  • Garantia de capacitação técnica e qualificação profissional;
  • Integração da indústria brasileira às cadeias globais;
  • Aumento dos investimentos em pesquisa, desenvolvimento e inovação de acordo com tendências mundiais;
  • Redução do consumo de combustível em veículos novos em 11% até 2022;
  • Promoção do uso de biocombustíveis e de formas alternativas de propulsão;
  • Valorização da matriz energética brasileira;
  • Automatização da manufatura e incremento da produtividade das indústrias;
  • Promoção de tecnologias de redução de acidentes no trânsito (ISOFIX, cintos de três pontos central, encosto de cabeça central, controle de estabilidade e luzes diurnas).
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Para as empresas, os benefícios de aproveitar os incentivos fiscais do Rota 2030 são a redução das alíquotas do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) em até 2%, o Regime de Autopeças Não Produzidas (que permite a importação de autopeças sem impostos) e o maior incentivo em pesquisa e desenvolvimento.

Se você se pergunta qual o impacto disso para o futuro, nós dizemos: é bastante positivo. Para as montadoras, traz mais destaque e as coloca no mapa internacional da produção. Para os clientes, representa mais qualidade e mais economia. Para o meio ambiente, significa um maior respiro. Dessa forma, o mercado brasileiro se torna ainda mais forte e a situação econômica, portanto, só tende a alavancar.

O que é o Proconve L7?

Você se lembra de quando falamos ali em cima que alguns carros devem sair de linha nos próximos meses? Esse fato se deve principalmente à fase L7 do Proconve (Programa de Controle da Poluição do Ar por Veículos Automotores), que dá novos limites bastante rígidos para a emissão de poluentes por carros brasileiros, além de modificar também a forma de medir os índices desses gases.

O Proconve foi criado em 1986 pelo Governo Federal por meio do Conselho Nacional do Meio Ambiente (CONAMA). Ele tem como objetivo controlar a emissão de poluentes dos carros e definir índices para o futuro, reduzindo a emissão de gases tóxicos na atmosfera e contribuindo para a saúde do planeta.

As medidas do Proconve L7 começam a valer em 2022 e 2023, mas as montadoras já devem se adequar às novas regras a partir de dezembro de 2021. Em janeiro de 2022, todos os modelos produzidos nacionalmente devem estar dentro dos novos parâmetros e as marcas terão até 31 de março de 2022 para vender ou recolher os carros de padronagens antigas nas suas concessionárias.

São mudanças definidas pelo Proconve L7 para as montadoras:

  • Melhoria dos catalisadores e da calibração do propulsor;
  • Instalação de maiores cânisters (filtro de carvão que coleta o vapor do combustível gerado no compartimento para tratá-lo);
  • Adoção de dutos e tanques de combustível feitos de metal ou plásticos multicamadas, com menor permeabilidade e que poluem menos;
  • Emissões evaporativas de 0,5 g (antes era de 1,5 g) medidas por um período de 24 horas (antes medidas por apenas duas horas);
  • Medição de emissões de hidrocarbonetos, aldeídos e etanol por NMOG (“Gases Orgânicos Não Metano”) pelo IBAMA;
  • Medição de emissões em tempo real, fora do laboratório e em condições reais como forma de reduzir riscos de fraudes;
  • Motores com vendas acima de 15 mil unidades por ano passarão por testes de 160.000 km (antes eram 80.000 km) para avaliar se apresentam deterioração e mudanças nos parâmetros de poluição.
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Mais uma regra a ser aplicada: a ORVR

Já que estamos falando de novas regras do mercado automobilístico, não dá para deixar a ORVR de lado. A tecnologia Onboard Refueling Vapor Recovery surgiu no artigo 11 da Resolução CONAMA nº 492, publicada em 2018, e está prevista para ser aplicada em 2023.

Isso significa que, a partir desse ano, o limite máximo de vapor de combustível que sai de um carro deve ser de 50 mg por litro. Dessa forma, o sistema do carro direciona o gás que seria emitido de volta para o cânister – o carvão absorve as moléculas de hidrocarboneto e o que sobra é queimado no motor.

Espera-se que a ORVR reduza em até 90% as emissões de gases e que, a partir de 2023, 20% dos carros tenham essa tecnologia, aumentando essa quantidade gradativamente ao longo dos anos.

Então, o motor 1.6 acabou?

Sim. O motor 1.6 já não mais atende todas as diretrizes que o Rota 2030 e o Proconve L7 demandam das montadoras, e é por isso que muitos carros serão descontinuados nos próximos meses aqui no Brasil.

Um exemplo disso é que os carros mais antigos não têm espaço suficiente para instalação de um cânister maior, como pede o Proconve L7, e o custo de um novo projeto de armazenamento de combustível é muito alto para essas marcas. Ou seja, acaba não compensando manter esses carros de forma redesenhada no portfólio, mas sim projetar modelos mais modernos e sustentáveis para o futuro.

Os motores 1.0 e 1.0 Turbo já são realidade no Brasil

O motor 1.0 Turbo é uma versão melhorada do 1.0 que une potência, durabilidade, eficiência e sustentabilidade, deixando de ser apenas um motor popular para se tornar a melhor opção do mercado. Ele é leve (feito de liga de alumínio), funciona com baixo atrito, tem ótimo rendimento, é bastante durável e um ótimo substituto para o já falecido motor 1.6.

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Além disso, o 1.0 Turbo possui três cilindros e turbo compressor que restaura a potência que seria perdida pela falta do quarto cilindro. Possui também reforços internos para aguentar as pressões maiores na câmara de combustão. Dessa forma, ele apresenta respostas rápidas e firmes que não deixam a desejar em nada para motores com alta cilindrada.

Por que trocar o motor 1.6 pelo 1.0 Turbo?

Você já deve ter percebido que o motor 1.0 Turbo apresenta muitas vantagens. Mas será que vale mesmo a pena trocar o motor 1.6 por ele?

A resposta é: sim! O 1.0 Turbo tem ótimos desempenho e durabilidade, além de um rendimento maior por ser mais leve e ter menos inércia no movimento. E isso acontece porque ele recebeu alterações em fábrica para que tenha a mesma vida útil que motores 1.4 e 1.6. Portanto, com um carro de motor 1.6, você gasta mais combustível para ter o mesmo desempenho do motor 1.0 Turbo. Não vale a pena, certo?

Por fim, nos resta mencionar a questão ambiental: esse motor emite menos poluentes, reduzindo as emissões de carbono e contribuindo para um planeta mais sustentável. Ou seja, só vantagens para você e para a natureza!

Saiba quais modelos vão sair de linha

Chevrolet: Joy, Joy Plus, Montana.

Citroën: Aircross, C3.

Fiat: Doblò, Grand Siena, Uno.

Hyundai: HB20 1.6, HB20S 1.6, iX35.

Peugeot: Partner.

Renault: Logan 1.6, Sandero 1.0, Sandero 1.6, Stepway 1.6.

Volkswagen*: Fox, Gol 1.6, Polo 1.6, Virtus 1.6, Voyage 1.6.

*Adequações Volkswagen:

  • 1.6: produção continuará apenas no Saveiro (com adaptações).
  • 1.0: passará por adaptações na produção do motor.
  • Polo 1.6 e Virtus 1.6: passarão a ser produzidos com motor 170 TSI.

Você já sabia dessas novidades do mercado automobilístico do Brasil? Já está preparado para elas? Não se preocupe: com a Unidas Frotas, seus carros estão sempre atualizados e dentro das normas governamentais para que você possa economizar e ajudar o planeta a ser ainda mais sustentável. Vamos juntos?

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